terça-feira, 30 de outubro de 2007

Visitas

De vez em quando a gente recebe visitas.
Até ano passado tínhamos uma vizinha chamada Nina.

Ela entrava, nos cumprimentava, deitava no chão, no sofá. Comia a comida do Feel, cochilava um pouco e depois ia embora. No final do ano ela se mudou. Sentimos falta.

Meses atrás descobrimos essa linda de olhos verdes. Ela mora perto da padaria, mas não sabemos com quem. Adora ficar no colo e tem um jeito estranho de demonstrar carinho. Morde a gente (mas sem machucar)!
É o primeiro felino que conheço que gosta de ficar tanto tempo no colo da gente.

sábado, 27 de outubro de 2007

FEEL



Da última ao primeiro. Falei deles sempre citando o Feel por tabela. Costelinha, Yam e Rita estão há menos de um ano conosco. Feel chegou em 2004. Já tínhamos o cachorro, Churek (um pinscher número ‘um’ que eu acho meio chato, mas ele é a paixão da filhota, então nem reclamo muito). A desculpa para o gato veio numa manhã de primavera na cozinha.
Enquanto tomava o café da manhã supus ter visto um rato entrar no pequeno vão entre a parede e o armário de imbuia. Parafraseando o Piu-piu, eu me disse “Acho que eu vi um ratinho.”
A dúvida é uma angústia insuportável. Mais insuportável que o nojo. E eu tenho nojo de ratos. Nojo por que na classificação doméstica eles entram na categoria de insetos. Ou seja, aqueles seres minúsculos, parasitas, que causam doenças, que contaminam o ambiente e que são nojentos. Mas não são insetos e são (do ponto de vista doméstico) só por que são maiores, tem pelos e rabo e... (argh!) Vísceras e sangue que se espalham por tudo quando tentamos matá-los da mesma forma que os demais insetos. Enfim, eles estão na liminaridade. E talvez justamente por isso são infinitamente mais nojentos (eu já disse que eles são nojentos? Parece que a repetição é a única maneira de traduzir a impressão repugnante que causam). E eles podem trazer a peste! Doença tabu do ocidente.
Bem, diante da dúvida, fui lá, abaixei-me e olhei. Ajustei o foco para poder enxergar algo na escuridão do pequeno vão de dois por dois e meio centímetros. E havia algo no vão que impedia que a luz atingisse meus olhos a formar o retângulo esperado. Só era possível ver pequenos triângulos de luz em quatro pontos indicando haver algo redondo entre o móvel e a parede. Pavor, pavor, pavor!
Abri a porta da cozinha, peguei o cabo de uma vassoura velha, introduzi-o por um lado do móvel e cutuquei a coisa redonda no vão. Se fosse um rato, sairia pelo outro lado, atravessaria a porta aberta e fugiria para o jardim. Ao colocar o cabo, ouvi aquele som típico emitido por esses insetos-mamíferos. Corri para a porta e consegui vê-lo fugir pela grama, atravessar as grades do portão, atingir a calçada, atravessar a rua e sumir no bueiro. Fiquei espantada com a velocidade e o tamanho dele. Era minúsculo! Inseto maldito!
Ai, o dia não começava bem. E morar naquela casa não começava bem, pois acabava de me mudar.
O problema estava instalado. Eu não o havia resolvido por que apenas o espantara. Certamente ele voltaria. E eu não conseguia matar ratos, nem diretamente, nem com armadilhas (envenenamento nem entra como opção – sou radicalmente contra a presença desse tipo de coisa em uma casa). Eu mato um monte de coisas (reparem que eu os denomino como coisas, são coisas animadas) sem drama: aranha, formiga, mosquito, barata... (Cobra já matei, mas acho que hoje não mataria. Não por falta de coragem, mas por admiração que passei a ter por elas). Mas rato não dá. O nojo me impede.
Fiz minha primeira pesquisa na vizinhança e o resultado foi ruim. Os camundongos fazem parte da fauna local e volta e meia entram nas casas.
Não demorei muito para resolver. Sentenciei: Vamos ter um gato! Urgente!
Após alguns telefonemas, conheci a SPAM e uma das suas associadas me presenteou com esse delicioso gato amarelo.
Muitos me disseram que não adiantaria nada, que os ratos não deixariam de invadir minha casa. Entretanto, desde que o Feel chegou, nenhum ousou. Agora então, com quatro gatos, nenhuma chance. Rá!

RITA



Bem eu falei de Costelinha, de Yam. Costelinha em uma semana, Yam em outra. Tudo parecia perfeito e harmonioso. Dois amiguinhos para o Feel. Mas... sempre tem um ‘mas’, não é? Um ou mais. Neste caso é o segundo ‘mas’, caramba!
Graça (vizinha, amiga, colega de trabalho e felinéfila – acho que a palavra não existe, né? Mas é isso mesmo, ela é apaixonada por gatos e atualmente vive com 12 deles) me liga e diz que precisa me pedir algo. Espero o pedido: Ela acabara de resgatar uma gatinha que tinha sido jogada em um terreno baldio no nosso bairro. Não havia como deixar a pequenina abandonada à própria sorte, mas também não poderia adotar mais um felino. Assim, me pedia para ficar com ela. Ai caramba! Mas eu também já estava lotada! (...) Para encurtar a história, ela veio e ficou. Mais uma. Um pouco maior que Yam. Eu achei os seus olhos um tanto tristes e me lembrei de uma oncologista que tinha um olhar parecido. E eu gostei tanto dessa médica (um dos poucos profissionais da área que admiro). Assim, a gata ficou com o nome da médica: Rita.





Rita é a esperta do grupo. Avalia tudo muito bem, não se apavora (como Costelinha) nem é ansiosa (como Yam, sempre apressado!). Mas tem o que considero um problema, é muito auto-confiante. Não se preocupa com as pessoas. Qualquer um pode se aproximar, fazer um chamego e ela já se sente dona da situação. Um perigo!
Tem um porte pequeno, elegante e a mais silenciosa de todos. Um doce!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Conversa alheia



Por uma dessas inconveniências da vida, estava próxima de mãe e filha.
A primeira, com aparência uns 30 anos, a segunda, uns 6. A segunda ameaçava desobedecer a primeira. A primeira repetiu a advertência: Você vai se machucar!
A menina: "Eu vou lá."
A mãe, derradeira: "Já lhe disse. Não desobedeça a mãe, senão você vai ser infeliz."

Por sorte eu já me afastava, pois me assustei um pouco com a frase final. Achei tão forte a afirmação em tom de ameaça: ...senão você vai ser infeliz.
Saí pensando na repercussão psíquica da frase naquela menina daqui há alguns anos, ainda mais porque parece ser algo dito recorrentemente pela mãe.

Saio pensando no valor simbólico das palavras...

Enfim, essas coisas que adultos fazem com crianças e depois não entendem porque certos adolescentes e jovens são como são.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

O embrulhinho de novecentos



E se lhe surgisse assim, do nada, R$ 900,00? Isso mesmo: novecentos reais em notas! Tá, não é muito... Mas pode ajudar a pagar uma conta pendurada, comprar aquele sonhozinho de consumo há tempos adiado, financiar parte daquela festinha planejada, ou viagem, ou pagar o conserto daquele eletrodoméstico encostado etc. Ou seja, não faltam destinações, sempre urgentes, para novecentos reais gratuitos, caídos do céu.
Pois é, e esses novecentos apareceram para uma colega da universidade, a Isabel.

Ela foi levar o filho para uma atividade física num local da av. Mandacaru. Para não ficar parada esperando o filho, resolveu dar uma voltinha na redondeza.
Na calçada do ponto de ônibus, próximo à delegacia da Mulher, minha amiga chuta um pequeno embrulho. Intrigada com sua forma e tamanho, ela resolve abaixar e investigar. Ao abrir, eis o tesouro: novecentos reais!

Dias depois encontro-me com ela na universidade. Queria conversar coisas importantes de trabalho. Perguntei-lhe: Você tem um tempinho agora?
Tinha.
Mas toca seu celular. É da delegacia da Mulher. (Estranhei...)
Alguém quer encontrá-la e lhe pergunta se poderia ser naquele momento. Ela responde afirmativamente. Parece algo urgente...
Minha possibilidade de conversa vai para o ralo.
Uma tal de Dona Maria precisa muito vê-la.
Quando ela desliga é que conheço a história dos novecentos reais.

Ao encontrar o dinheiro, ela foi até a delegacia da Mulher e pediu à delegada de plantão que a ajudasse a encontrar o dono do dinheiro. A delegada não queria esse trabalho, fez-lhe a recomendação: “Minha filha, você achou o dinheiro na rua, ele é seu por direito, vá usá-lo como quiser.” Resposta: “Eu quero usar devolvendo-o para quem o perdeu.”.
Sem alternativa, a delegada procurou o quase-desafortunado.
Aquela ligação confirmava o encontro da pessoa. D. Maria, funcionária aposentada da universidade perdeu o embrulhinho dos novecentos no ponto de ônibus, ao subir no coletivo. Ao perceber a perda, desespero, culpa, dor... Até o telefonema improvável da delegada com a notícia que seu dinheiro seria devolvido integralmente!
A delegada já havia feito a devolução, mas D. Maria estava naquela tarde na universidade à procura de Isabel. Precisava agradecer pessoalmente.
Então Isabel foi receber o abraço. Pergunta-me se eu queria ir lá, "chorar junto". Imaginei o quão emocionante não seria o encontro. Mas declinei. O encontro cabia somente as duas e minha conversa poderia esperar.

Histórias assim são relativamente comuns, embora raramente contadas.
Senti um orgulho besta por Isabel. Feliz por conhecê-la, por conhecer essa história cotidiana, mas cheia de sentimentos bons.
Ganhei o dia.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Ideologia Arboreofóbica



Estive numa festinha de crianças nesse fim de semana. E lá, entre salgadinhos, docinhos e refrigerantes em um local agradabilíssimo (porque em um ambiente repleto de árvores) os adultos começaram a falar de chuva e de árvores.
Foi um final de semana com chuva, muito bem vinda, aliás, pois a cidade estava sedenta dela. Na conversa, lembraram-se de outros períodos chuvosos e dos acidentes com árvores caídas na cidade. Logo percebi uma certa unanimidade do grupo na qual as árvores são perigosas. Foram-se somando argumentos como o de que a maioria das árvores está doente, não há mais um serviço público de qualidade para avaliar e fazer a manutenção das mesmas, que era um perigo muito grande andar de carro em dias de chuva na cidade porque as árvores estão muito grandes etc.
Fiquei intrigada com esse olhar tão negativo para as árvores da nossa cidade. Tá certo que tratava-se de um grupo pequeno e nada representativo, mas eu acabei somando esses pontos de vista com o que a imprensa costuma informar sobre o tema. E as abordagens são predominantemente negativas. Árvores doentes, árvores que caem e ameaçam a vida e o patrimônio dos moradores, árvores que sujam as calçadas, árvores que não são podadas etc.
Há mesmo uma ideologia contra as árvores em Maringá. E não pode haver maior absurdo do que esse, pois a cidade, sem elas, seria insuportavelmente quente! Qualquer ser humano percebe isso, basta andar por uma rua sem elas em um dia de verão.
Árvore também se transformou em um poluidor visual para o comércio, não? Opa! Não só para esse setor, mas também para igrejas e outros monumentos arquitetônicos de beleza ‘cimental’ duvidosa...
Tenho uma amiga que mora em um condomínio fechado em que a maioria dos moradores decidiu cortar todas as árvores dali que estivessem na área coletiva. Só restou uma árvore, que fica na área privada da casa dessa amiga. Agora, nos dias quentes, todos os carros das visitas do condomínio disputam a única sombra que há... Absurdo! As árvores lá foram cortadas baseadas em argumentos higienizantes: as árvores sujam muito as calçadas, atraem animais (como morcegos, ui!) etc...
Árvore e chuva
Bem, a experiência de ser arqueóloga e antropóloga me fez aprender algumas regras de andar na mata. Uma delas é a de que, se uma chuva torrencial lhe pega no meio de uma caminhada na mata, a primeira coisa a fazer é procurar o lugar mais alto e mais distante dos cursos d’água (sabe como é, um filete de água pode se transformar em um rio em pouco tempo). A segunda coisa é ficar quietinha, nada de prosseguir na caminhada, pois a chuva provoca mesmo a queda de galhos. E ser alvo deles pode ser fatal.
Obviamente, transportei esse saber para essa cidade, deliciosamente cheia de árvores. Assim, quando chove torrencialmente, não dirijo. Simples.
Não dá para evitar? Então trafegue pelas vias com menos árvores, dirija devagar e tenha o seguro do carro em dia.
Socorro!! Árvore não é problema, é solução! Ela dá algum trabalho? Dá, mas tudo na vida dá trabalho. Ela não representa um ônus. O que ela demanda deve ser encarado como investimento e não ônus. A sua ausência sim, é um ônus.
Sabe o que eu penso? Penso que esse discurso recorrente contra as árvores é mesmo uma ideologia de um liberalismo do mais tacanho possível. E de onde vem o liberal? Vem dessa característica de desqualificar tudo o que é público. Sucatear o público. Disso entendemos bem, saúde: sucateada. Educação: sucateada... As árvores são públicas, não? Então vai-se minando sua manutenção. Não há investimento no serviço público para podá-las, recolher folhas e galhos caídos, verificar sua saúde, substituí-las (e não suprimi-las) etc. A cidade cresce, aumenta o número de árvores, aumenta o número de contribuintes, mas não o investimento na infra-estrutura da cidade – incluindo as árvores.
Enfim, o sucateamento começa com a desqualificação das árvores. Nos discursos da imprensa e do governo municipal, elas aparecem como um problema, um entrave para a cidade. Emerge uma ideologia arboreofóbica e ela já contamina os incautos com eficiência.
O que fazer?

domingo, 14 de outubro de 2007

ODEIO...


...HORÁRIO DE VERÃO!